Vinho Reserva ou Reservado? Entenda a Diferença e Não Seja Enganado Pelo Rótulo

vinho-reserva-ou-reservado

Vinho Reserva ou Reservado. O que esperar dos vinhos que levam estas nomenclaturas em seus rótulos?

Os termos Reserva e Reservado marcam presença entre as inúmeras informações que constam nos rótulos de boa parte das garrafas de vinho.

Muitos consumidores não fazem a menor ideia do que estas palavras significam.

Porém, como são termos fortes que muitas vezes ocupam um lugar privilegiado no rótulo, alguns acreditam que possam indicar alguma qualidade na bebida.

Mas será que eles realmente indicam alguma qualidade?

E qual seria essa qualidade?

Preparamos este artigo para você entender a diferença entre os vinhos Reserva e Reservado e não correr o risco de comprar um produto inferior, baseado em um termo que você não conhece.

Continue lendo o artigo e descubra:

  • O significado do termo Reserva
  • O significado do termo Reservado
  • Gran Reserva, Reserva Privada e outras classificações
  • Como estes termos afetam o custo da bebida

Vinho Reserva. O que isso significa?

vinho-reserva

O termo Reserva geralmente indica um vinho que passou por algum período de amadurecimento em barris de carvalho e envelhecimento na própria garrafa.

Estes processos, quando realizados de maneira sensata, trazem inúmeros benefícios ao vinho, principalmente aqueles que, ao término da vinificação, encontram-se muito ‘duros’ e precisam ser ‘amaciados’ antes de serem consumidos.

O estágio em barris de carvalho contribui para que o vinho adquira:

  • aromas
  • sabores
  • estrutura
  • longevidade
  • taninos

E também para que reduza ou equilibre:

  • a acidez
  • a adstringência

Após o período de amadurecimento, os vinhos são engarrafados e, em alguns casos, os produtores deixam a bebida repousando em suas caves por alguns meses ou até anos antes da comercialização.

E qual o período exato em que o vinho deve estagiar em carvalho e envelhecer em garrafa para utilizar o termo “reserva”?

A resposta é: depende do país e da região.

A indicação de vinhos Reserva não é igual para todos os países.

E os dois principais produtores onde a utilização do termo tem requisitos específicos são a Espanha e a Itália.

Espanha

Utiliza-se o termo para os vinhos tintos envelhecidos no mínimo por 3 anos, sendo que o primeiro ano deve ser, obrigatoriamente, em barris de carvalho e o restante em garrafa.

Também utiliza-se o termo para os vinhos brancos e vinhos rosés envelhecidos no mínimo por 2 anos, sendo que os seis primeiros meses devem ser, obrigatoriamente, em barris de carvalho e o restante em garrafa.

Itália

Na Itália, o tempo mínimo de amadurecimento e envelhecimento é determinado pelo órgão regulador de cada tipo de vinho e região, entretanto, a maioria dos vinhos que utilizam o termo passaram no mínimo 2 anos em barris de carvalho.

Como os demais países produtores utilizam o termo “reserva”?

Atualmente, fora da Espanha e Itália não existe nenhuma regulamentação para a utilização do termo.

Mas quando algum produtor utiliza o título em seus rótulos, o que se espera é que o vinho tenha tido um tratamento especial, desde a colheita e seleção de uvas, passando pela vinificação, até chegar aos processos de amadurecimento em carvalho e envelhecimento em garrafa.

Entretanto, como não há uma regulamentação, é comum que cada produtor determine a maneira de utilizar o termo, assim como a forma que os processos acima foram conduzidos e os períodos de amadurecimento e envelhecimento.

Desta forma, para você escolher um bom vinho, é interessante se informar sobre o produtor e sua reputação.

Ficar atento a maneira com que produtores de uma mesma região utilizam o termo, embora, estar na mesma região não garante que o cuidado com o vinho será o mesmo para todos.


Vinho Reservado. Sinônimo de qualidade?

vinho-reservado

O termo Reservado tem um papel fundamental no mundo do vinho: Confundir a cabeça dos consumidores!

A nomenclatura que confunde-se com o termo Reserva não quer dizer absolutamente nada.

Os vinhos que carregam este título são, na maioria das vezes, vinhos de entrada de muitas vinícolas, isto é, os vinhos mais simples que o produtor elabora.

Normalmente produzidos em grande quantidade, sem estágio em madeira e envelhecimento em garrafa.

E isto se reflete no preço, pois são os vinhos mais baratos que você pode encontrar.

Uma curiosidade, é que estes vinhos não aparecem no portfólio das vinícolas e, há quem diga, que são produzidos somente para a exportação para países onde a cultura do vinho não está tão difundida, confundindo os consumidores e atraindo-os pelo preço baixo.


Gran Reserva, Reserva Privada e outras classificações

vinho-gran-reserva

As classificações não se limitam apenas aos Reservas e Reservados.

Provavelmente você também tenha visto os termos Gran Reserva, Reserva Privada ou Reserva Familiar.

Caso ainda não tenha visto, cedo ou tarde você encontrará um destes rótulos.

Gran Reserva

Os vinhos Gran Reserva estão um nível acima dos Reserva.

Normalmente as melhores uvas são separadas para elaboração destes vinhos que passarão por períodos ainda maiores em barris de carvalho e em garrafa.

E assim como o termo Reserva, a utilização depende do país e da região.

Neste caso, a Espanha é o principal produtor que segue requisitos específicos para utilização do termo.

E nos demais países cada produtor determina a forma de utilização.

Os vinhos tintos espanhóis devem ser envelhecidos no mínimo por 5 anos, sendo que os dois primeiros anos devem ser, obrigatoriamente, em barris de carvalho e o restante em garrafa.

Já os os vinhos brancos e vinhos rosés devem ser envelhecidos no mínimo por 4 anos, sendo que os seis primeiros meses devem ser, obrigatoriamente, em barris de carvalho e o restante em garrafa.

Reserva de Família / Reserva Especial / Reserva Privada

Muitas vinícolas utilizam estes termos para classificar seus vinhos que são considerados superiores e que geralmente tem a produção limitada a poucas garrafas.

Os termos não são regulamentados e são utilizados a critério do produtor.


Como estes termos influenciam no custo da bebida

vinho-reserva-custo

Todo o processo de produção, desde a seleção das melhores uvas até o amadurecimento e envelhecimento da bebida, consome muito tempo e recursos, principalmente financeiros, por parte do produtor.

Barris de carvalho tem o custo elevado e vida útil.

Após algum tempo, muitos já não estão mais aptos ao amadurecimento de vinhos, sendo reaproveitados para a elaboração de outras bebidas.

Logo após o engarrafamento, as adegas necessitam de espaço adicional para o repouso das garrafas durante meses ou anos.

Estes são alguns exemplos de esforços que geram custo ao produtor e elevam o valor dos vinhos classificados como Reserva, Gran Reserva, Reserva Especial, e assim por diante.


Conclusão

Quando escolhemos um vinho Reserva, Gran Reserva, Reserva Especial, pelo menos em teoria, estamos adquirindo um produto que teve um tratamento especial por parte do produtor, principalmente se este vinho foi produzido dentro dos critérios exigidos pelas regulamentações de determinadas regiões.

Mas embora estes termos indiquem maior qualidade, isto não significa que vá agradar mais ao seu paladar do que qualquer outro vinho.

Muitas pessoas preferem vinhos mais simples, jovens, frutados para serem bebidos sem nenhuma formalidade.

Se você está iniciando no mundo dos vinhos finos, procure começar pelos vinhos jovens e frutados, sem passagem em madeira.

Depois explore o mundo dos vinhos Reserva, Gran Reserva e compare as diferenças.

Mas não pense encontrar vinhos Reserva e Gran Reserva por preços extremamente baixos, pois, como dito anteriormente, são produtos que consomem muito tempo e dinheiro do produtor.

Em relação aos vinhos Reservados, estes são mais simples, feitos em grande escala e sem nenhum cuidado adicional por parte do produtor.


Gostou do conteúdo?

Compartilhe esta página com seus amigos 😉

275 Shares:
Comentários
  1. Parabéns Thiago, tbem sou apreciador de vinhos, e vivo garimpando locais em são paulo onde sempre compro meus vinhos, tanto os correntes quanto os “não correntes” Sugiro que conheça Portugal estive com a namorada em maio deste ano no norte, Aveiro, Porto e alguns vilarejos, onde se encontra grande quantidade vde produtores locais que fornecem para os restaurantes, vinhos que valem serem conhecidos, assim como a região! Sucesso em seu trabalho! abraço

  2. Olá Thiago. Adorei a matéria. Li esses dias um comentário sobre o rótulo “reservado” e que são vinhos inferiores. Eu não sabia e recorri aqui no Google e achei seu artigo. E eu tava me achando por ter conhecido uma grande vinícola no Chile, e que é uma das que mais comercializam este tipo de vinho. Rs. Obrigada pelo seu esclarecimento.

    1. Oi Adriana, você não é a primeira a se confundir. Realmente as nomenclaturas são bem parecidas. Mas, infelizmente, o ‘reservado’ não indica nenhuma qualidade ao vinho.

      Um abraço.

  3. Parabéns pelo artigo Thiago !

    Muito didático e esclarecedor…ao menos esses termos reserva e reservado, tão comum nos rótulos dos vinhos, não me iludem mais … rsrs

    Grande abraço !

  4. Gostei muito da forma direta e rica em detalhes na comparação “Vinho RESERVA E reservado”
    Gostaria de conhecer seu comentário sobre algo que parece enganação: Vinho MEIO SECO.
    Obrigado.

    Arnaldo Ribeiro

    1. Olá Arnaldo, como vai?

      Na verdade os Vinhos Semi-Secos ou Meio-Secos existem, e não são enganação rs.

      Para produzir os vinhos meio-secos, o enólogo retira as leveduras antes que elas consumam todo o açúcar da uva ou, alternativamente, adiciona suco de uva doce à bebida. Desta forma, os vinhos que contiverem entre 4,1 e 25 gramas de açúcar por litro, serão classificados como vinhos meio-secos.

      Para entender mais sobre os níveis de doçura dos vinhos, leia o artigo: https://vidaevinho.com/estilos-de-vinho/

      Um abraço.

  5. Gostei! agora já estou mais abilitado para fazer escolhas de vinho sem ter que perguntar.
    No entanto, tenho uma dúvida da qual gostaria de saber. OS SÍMBOLOS da rotolagem onde informam, beber de imediato ou reservar.
    Os meus agradecimentos

    1. Olá José, como vai?

      Eu não me recordo de ver estes termos em rótulos de vinhos. Mas é fato que existem vinhos para consumo imediato: espumantes, frisantes e a maioria dos brancos e rosés. E vinhos que serão melhor apreciados se abertos após 10, 15, 20 anos após engarrafados. O importante é conhecer o vinho, o produtor e certificar-se do melhor período para consumo.

      Um abraço.

    1. Olá Ana!

      Muito feliz pelo seu comentário 🙂

      Gratificante saber que meu conteúdo está ajudando você e outras pessoas a entender melhor o apaixonante mundo dos vinhos.

      Um abraço!

  6. Bom comentário
    o brasileiro está na hora de aprender que;
    Alguns vinhos que chegam aqui como RESERVADO, são vinhos elaborados apenas para o mercado brasileiro. Possuem um alto teor de açúcar residual, altas doses de sulfitos e outras porcarias piores.

    1. Regina,

      Que bom que gostou do artigo! Fico feliz por ajudá-la a aprender mais sobre vinhos 😉

      Obrigado pelo comentário e volte sempre!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode gostar