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Aquaoir – Conheça o Vinho Envelhecido Embaixo D’água

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É comum ouvirmos histórias de embarcações que afundaram e, tempos depois, equipes de mergulhadores encontraram junto aos seus destroços, bebidas quase intactas que repousaram durante décadas ou séculos no fundo do oceano.

Mas, e quando estas bebidas são intencionalmente colocadas para repousarem sob a água do mar?

Será que as águas frias do oceano poderiam, de alguma forma, contribuir para o bom envelhecimento de um vinho?



Jim “Bear” Dyke Jr., presidente da Mira Winery, situada em Napa Valley, Califórnia, soube da descoberta de garrafas de vinho descritas como “incrivelmente boas”, que afundaram cerca de 30 metros, junto a um veleiro britânico perto do Canal de Savannah em 1840.

Dyke ficou intrigado com a descoberta e logo pensou como seria se seus vinhos fossem envelhecidos embaixo d’água.

Há um número limitado de elementos que influenciam na fermentação e envelhecimento dos vinhos – temperatura, pressão, umidade, movimento, luz (ou escuridão) e oxigênio.

O mar fornece um ambiente único, com temperaturas frias, pouco ou nenhuma luz, pressão e movimento constantes.

Será que estes fatores afetariam os vinhos de maneira positiva?

Em parceria com o enólogo Gustavo Gonzalez, que junto a Robert Mondavi passou 17 anos produzido vinhos de pontuação incrivelmente altas, a Mira Winery tornou-se a primeira vinícola americana a testar este processo de envelhecimento, utilizando 48 garrafas de seus Cabernet Sauvignon da safra 2009.

“Ninguém nunca experimentou isso antes. Desde os tempos medievais que o vinho é envelhecido em terra, mas há algo sobre o vinho do oceano que excita a imaginação.” – disse Dyke em reportagem ao jornal britânico The Telegraph.

Dyke e seus companheiros submergiram quatro gaiolas com as garrafas de seu Cabernet a 18,2 metros, em Charleston Harbor, Carolina do Sul.

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Gaiola que abriga as garrafas submersas em Charleston Harbor. Foto: aquaoir.com



Durante três meses, testaram o processo de envelhecimento do vinho, medindo o impacto da pressão da água subterrânea nas rolhas – que foram vedadas com uma espécie de cera, evitando a infiltração da água.

Também testaram a durabilidade das gaiolas, para garantir a segurança das garrafas, e coletaram dados sobre a temperatura debaixo d’água em comparação com a temperatura da superfície.

O porto de Charleston foi escolhido devido a sua água permanecer relativamente estável a 13° C – temperatura na qual o vinho poderia ser envelhecido sem complicações.

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Garrafas amarradas à uma placa que é inserida nas gaiolas submersas. Foto: aquaoir.com

Três meses depois, após subir as garrafas à superfície, Dyke provou o vinho ao lado de sommeliers de Charleston e o resultado surpreendeu a todos.

Depois de alguns meses de envelhecimento no oceano, o vinho tinha um gosto bem diferente, se comparado ao mesmo vinho envelhecido em seus porões.

O caráter permaneceu semelhante, mas as condições do oceano parecia ter acelerado o processo de envelhecimento, além de arredondar os taninos e adicionar muito mais complexidade ao vinho.

“Nossa análise química do vinho não é apenas um experimento científico. Queremos entender o impacto no sabor. Nosso objetivo é encontrar métodos para realçar o sabor, a experiência e, finalmente, a diversão.” – aquaoir.com



Mais tarde, eles decidiram realizar outros testes, duplicando o tempo de envelhecimento para seis meses e usando cerca de 100 garrafas.

A equipe realizou testes cegos em sete cidades ao redor dos EUA, comparando os vinhos envelhecidos nos porões e no mar.

Dos 147 participantes, 140 deles pensaram que estavam degustando vinhos de duas uvas completamente diferentes.

Testes de laboratório mostraram que os vinhos tinham uma quase idêntica composição química.

A análise indicou que o pH, idade, álcool e acidez volátil dos vinhos do oceano foram praticamente as mesmas, se comparadas aos vinhos envelhecidos nos porões, com uma ligeira variação da turbidez.

Porém, eles não conseguiram encontrar um marcador químico que pudesse explicar a diferença no sabor.

“Por gerações, as pessoas tem procurado segredos para fazer os melhores vinhos do mundo. Não está claro quais serão os nossos resultados. Uma coisa que sabemos com certeza, é que a Mira Winery aguarda com expectativa para entrar para a história de Charleston.” – aquaoir.com



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Foto: aquaoir.com

A vinícola criou um nome para o seu vinho envelhecido no mar, chamando-o de Aquaoir, uma brincadeira com a palavra “terroir”, que descreve as diferenças sutis em vinhos derivados do solo em que as uvas foram cultivadas.

A Mira Winery inicialmente pensou em vender seu vinho Aquaoir, apenas aos membros de seu Clube de Vinhos, onde as garrafas seriam vendidas em pares, com o vinho envelhecido nos porões para comparação.

O preço sugerido das garrafas seria em torno de US $500,00.

Mas nem tudo são flores!

Depois de tanto esforço e divulgação por parte da Mira Winery, problemas começaram a aparecer.

A Alcohol and Tobacco Tax and Trade Bureau (TTB) – a agência do governo americano que regulamenta a rotulagem dos vinhos – emitiu um comunicado que relata suas preocupações em relação a contaminação do vinho.

Há preocupações de que a bebida possa ser contaminada por substâncias encontradas na água do oceano, incluindo gasolina, óleo, metais pesados, plásticos, resíduos de medicamentos, pesticidas, entre outros.

O comunicado também alerta que, apesar de um revestimento de cera ter sido colocado nas garrafas para envolver a rolha, este apenas atrasaria a infiltração de água do mar nas garrafas.

Em sua defesa, a Mira Winery garantiu que, depois de 3 meses das garrafas embaixo d’água, o revestimento em cera não foi danificado, as rolhas estavam intactas e o vinho não sofreu infiltrações de água, segundo testes químicos realizados.

A vinícola também diz que a TTB nunca pediu para ver o vinho ou qualquer uma das análises realizadas.

Pode ser que o Aquaoir não chegue às mesas dos consumidores tão cedo.

Fonte: The Telegraph.





Chegamos ao fim da leitura!

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By | 2017-05-30T06:57:47+00:00 8 abril, 2016|Curiosidades e Dicas|2 Comments

Sobre o Autor:

Thiago Ross
Thiago Ross é um apaixonado por vinhos, que após viajar ao Chile e Argentina e conhecer de perto a cultura do vinho, decidiu aprofundar-se no assunto e compartilhar o conhecimento com você. Saiba Mais >

2 Comentários

  1. Filipe Zalewska 31/10/2017 at 11:47 - Reply

    Isso me lembra a Cava Submarina do Chile.. faz o mesmo o processo.. e tb ajuda o nosso bolso.. os vinhos são espetaculares e diferente..

  2. Renata Carmo 21/02/2017 at 11:29 - Reply

    Que demais!!!!! Esse vinho com certeza é maravilhoso!

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