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7 Perguntas Para Eduardo Angheben – Enólogo e Proprietário da Vinícola Angheben Vinhos Finos

Eduardo Angheben



Eduardo Angheben é enólogo e proprietário de uma das mais acolhedoras vinícolas do Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul: a Angheben Vinhos Finos.

Juntamente com seu pai, Idalencio Francisco Angheben, Eduardo elabora vinhos finos de muita personalidade com produções limitadas.

É com muito prazer que trago aos leitores do blog esta entrevista com um dos maiores enólogos do Brasil.

Veja a seguir as 7 perguntas para Eduardo Angheben.



1) Eduardo, como surgiu o seu amor pelos vinhos?

Thiago, quando eu nasci, já havia vinho na minha casa.

Sou bisneto de imigrantes italianos, que chegaram aqui e cultivaram videiras, meus avós seguiram o mesmo caminho e meu pai foi o primeiro da família a se tornar Enólogo.

Me recordo que quando pequeno, cerca de 9 ou 10 anos de idade, em minhas férias escolares, eu ia “trabalhar” com meu pai. Ele era um dos Enólogos da Chandon e era o responsável pela parte agrícola da empresa.

Então, eu percorria vinhedos, e várias vezes eu tinha a oportunidade de circular dentro da vinícola e sentia os aromas da fermentação dos vinhos sendo elaborados ou mesmo dos espumantes. Esses aromas eram sensacionais e tenho na memória até hoje.

Além disso, sempre havia uma garrafa de vinho na mesa da minha casa e foi natural a escolha por esta profissão.

O vinho na minha vida veio de berço!

Se teve um início, veio dos meus antepassados, está no meu DNA.



2) Um enólogo tem muitas responsabilidades e deve tomar diversas decisões. Qual a decisão mais difícil de ser tomada durante o processo de elaboração de um vinho?

Como proceder em uma safra onde o clima não foi bom e a matéria prima não é favorável?

Tomar a decisão se devemos elaborar o vinho ou não.

Se a decisão for por elaborar, o desafio passa a ser o estilo ou posicionamento do produto que podemos fazer.



3) Antes de visitar a vinícola Angheben no início deste ano, eu sempre ouvia falar do ‘Barbera da Angheben’. Quando estive na vinícola pude prová-lo e realmente é um vinho muito bom! Como vocês decidiram por esta variedade que não é tão conhecida entre os brasileiros?

A Angheben sempre buscou uma identidade própria.

E para isso muitas vezes percorremos caminhos que outras vinícola ainda não trilharam.

A Barbera foi um resgate histórico (tendo em vista que já existiu em quantidades expressivas aqui no Rio Grande do Sul) ao mesmo tempo que foi também uma dessas tentativas de diferenciação, por uvas ou vinhos menos “usuais” para o Brasil.

Contudo, quem de fato tornou ela um vinho emblemático para a Angheben foram nossos clientes.
A escolha foi do consumidor, nós só tratamos de respeitar essa escolha.

angheben-barbera

O famoso ‘Barbera da Angheben’



4) Além da Barbera, a Angheben também produz vinhos com a Touriga Nacional, Teroldego e Gewürztraminer. Vocês encontraram – ou ainda encontram – alguma resistência por parte dos consumidores em relação à estas variedades, ou o brasileiro está aberto a provar vinhos diferentes?

Por parte dos consumidores da Angheben, nenhuma resistência.

Pelo contrário, muita curiosidade e vontade de provar e ter a experiência de algo diferente e bom.

Contudo, houve resistência de revendedores e principalmente de restaurantes.

Para eles era muito trabalhoso ter que explicar para um consumidor o que eram esses vinhos diferenciados.

Era mais fácil para alguns vender vinhos mais “comerciais”.

Mas como o mercado está em constante evolução e o consumidor cada vez mais ávido por novas experiências, essas resistências tem ficado cada vez menores.



5) Você acha que o vinho nacional tem o respeito que ele realmente merece? Mudaria algo no atual cenário de vinhos do Brasil?

Em primeiro lugar, considero que o respeito deve vir em função da qualidade do vinho e não da origem do produto.

Não devemos pensar em defender o vinho nacional, simplesmente por um certo nacionalismo. Não acredito que essa estratégia funcione. Devemos defender e aplaudir os vinhos de qualidade.

Temos que pensar sem o “coitadismo” de que o consumidor tem que beber o vinho do país.

Ele deve beber sim, se ele gostar e se for bom para ele, consumidor.

O fato é que o Brasil faz ótimos vinhos e o consumidor vem notando isso.

Já temos uma ótima imagem dos Espumantes Brasileiros. A imagem dos vinhos está melhorando a cada dia.

Entretanto mudaria sim algumas políticas de trabalho em entidades representativas do setor.

Focariam em questões mais técnicas como por exemplo um trabalho nas regionalizações, ou seja, a busca por uma identidade de cada região produtora no país.

Somos um país continental e ainda há pessoas que pensam que devemos ter um único vinho emblemático. Já se falou no espumante ou no vinho Merlot. Penso de outra forma.

Temos que buscar vinhos emblemáticos sim, mas por regiões. Serra Gaúcha, Campanha, Campos de Cima da Serra, Serras de Santa Catarina, Vale do São Francisco e assim por diante.

Cada região tem vocações distintas, não existe uma região melhor que a outra. Buscar uma identidade, um “sotaque” para os vinhos de cada região.

Um outro foco, de fundamental importância é trabalhar e repensar a cadeia produtiva em termos de competitividade.

Temos que dar condições das vinícolas serem fortes. Usar a maior parte dos recursos das entidades na busca pela diminuição da carga tributária e da desburocratização do setor.

Será mesmo viável fazer divulgação e promoção se as vinícolas não estão tendo condições de competitividade?

Antes da divulgação e promoção tem que vir a sustentabilidade econômica da cadeia produtiva.

Quando as vinícolas brasileiras estiverem fortes econômica e financeiramente elas mesmas terão condição de promover seus produtos.

Fica um questionamento… Quando um setor precisa de entidades para promover seu produto e não consegue fazer isso pelas próprias forças, não é sinal que a estratégia está equivocada?



6) Se você tivesse que produzir seus vinhos fora do Brasil, que outra região escolheria e por quê?

Provavelmente seria na Califórnia, nos EUA o governo quer as empresas fortes e saudáveis.

Aqui se recolhe imposto das vinícolas antes mesmo de gerar a receita, basta ver o que é a Substituição Tributária para vendas interestaduais.



7) E para finalizar, faça-nos uma sugestão de um vinho e o prato que melhor harmoniza com ele.

Uma sugestão só????

Me permita pelo menos duas…hehehe

Uma Pizza Margherita (com bastante manjericão) com um Angheben Barbera e para os carnívoros, uma Picanha (de boi Angus) com um Angheben Teroldego, bahh, fiquei até com água na boca aqui!

Forte abraço e um brinde!!!



MAIS SOBRE A VINÍCOLA ANGHEBEN

Leia sobre a minha visita à vinícola Angheben em abril deste ano. Nela eu conto sobre a história da vinícola e apresento seus melhores vinhos.

Conheça também..

Os vinhos Angheben que já passaram pelo blog:



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By | 2017-05-30T06:57:40+00:00 24 novembro, 2016|Entrevistas|0 Comments

Sobre o Autor:

Thiago Ross
Thiago Ross é um apaixonado por vinhos, que após viajar ao Chile e Argentina e conhecer de perto a cultura do vinho, decidiu aprofundar-se no assunto e compartilhar o conhecimento com você. Saiba Mais >

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